Indústria do arroz perde poder de negociação e dependência do varejo desafia competitividade do setor

publicidade

A cadeia produtiva do arroz enfrenta um desafio estrutural que vai além das oscilações de oferta e demanda. A crescente dependência da indústria em relação às grandes redes varejistas tem reduzido o poder de negociação das empresas beneficiadoras e comprometido a rentabilidade do setor, mesmo em cenários favoráveis de mercado.

A avaliação é do analista da cadeia do arroz Sergio Cardoso, divulgada pelo canal Pampa Gaúcho. Segundo ele, atribuir às grandes redes supermercadistas a responsabilidade pelo desequilíbrio comercial representa uma leitura superficial do problema. Na prática, o varejo apenas exerce sua função de mercado, comprando quando identifica oportunidades e melhores condições de preço.

Dependência comercial enfraquece a indústria do arroz

De acordo com a análise, o verdadeiro desafio está na própria estrutura da indústria arrozeira, que ao longo dos anos passou a depender excessivamente do varejo como principal canal de comercialização.

Essa situação é resultado de diversos fatores acumulados, entre eles:

  • elevada capacidade ociosa das indústrias;
  • necessidade permanente de geração de caixa;
  • beneficiamento de estoques pertencentes a terceiros;
  • intensa concorrência entre empresas do setor;
  • ambiente tributário complexo e de alto custo operacional.
Leia Também:  Oferta abundante e incertezas globais devem pressionar preços da soja em 2026

Esse conjunto de fatores reduz a capacidade das empresas de sustentarem negociações mais firmes, fazendo com que muitos negócios sejam fechados sob pressão financeira, mesmo quando o mercado apresenta menor disponibilidade do produto.

Caso do Grupo Mateus evidencia fragilidade nas negociações

Um dos exemplos destacados ocorreu antes das enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em maio de 2024. Naquele período, compradores do Grupo Mateus percorreram o Rio Grande do Sul e Santa Catarina em busca de arroz.

Apesar da oferta mais restrita, conseguiram concluir negociações em condições consideradas favoráveis para o comprador, evidenciando que parte da indústria continuava priorizando a necessidade imediata de caixa em detrimento de uma estratégia comercial voltada à valorização do produto.

Segundo Cardoso, o episódio demonstra que muitas empresas ainda vendem pressionadas pela liquidez, limitando sua capacidade de capturar melhores margens em momentos de mercado mais apertado.

Fortalecimento da indústria é caminho para recuperar competitividade

Na avaliação do especialista, o fortalecimento da cadeia produtiva depende menos de mudanças no comportamento do varejo e mais da construção de uma indústria financeiramente mais sólida, organizada e menos dependente das grandes redes.

Leia Também:  Coffee More 2025 destaca inovação e conhecimento técnico para produtores agrícolas

A recuperação do poder de negociação passa por maior planejamento estratégico, geração de valor agregado, gestão eficiente dos estoques e maior coordenação entre os diferentes agentes da cadeia produtiva.

Sem mudanças estruturais, a indústria continuará vulnerável às pressões comerciais, reduzindo sua capacidade de aproveitar oportunidades de mercado e comprometendo a competitividade do arroz brasileiro no longo prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe essa Notícia

publicidade

publicidade

publicidade

Previous slide
Next slide

publicidade

Previous slide
Next slide