Projeto “Comer Pra Quê nas Periferias” visa conscientizar jovens sobre alimentação saudável

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Com foco em todas as capitais do país, a estratégia “Comer pra Quê nas Periferias”, lançada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), tem o objetivo de mobilizar a participação social e a consciência crítica de jovens periféricos sobre a alimentação como um direito fundamental. A iniciativa, coordenada pela Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, foi construída em parceria com o Ministério das Cidades, e com a Secretaria Nacional de Juventude, ligada à Secretaria-Geral da Presidência da República.

O projeto prevê a seleção de 540 jovens, 20 por capital brasileira e pelo Distrito Federal, com idades entre 18 e 29 anos. Os selecionados participarão de uma trilha formativa que inclui seis etapas: seleção, cartografia do território (mapas falantes), oficinas presenciais (caldeirão criativo), ativação comunitária, curadoria de produções e um encontro nacional em Brasília.

O diferencial da iniciativa é o protagonismo das juventudes periféricas, vistas não apenas como público-alvo, mas sobretudo como agentes de transformação em seus próprios territórios. Para Lilian Rahal, Secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, o objetivo é entender a linguagem das juventudes para avançar na promoção da alimentação saudável, onde as políticas escolares tradicionais têm dificuldade de chegar.

O Coordenador Geral de Projetos da Diretoria de Educação Popular da Secretaria-Geral da Presidência da República, Emiliano Palmadel, ressalta o impacto dessa transformação diretamente nos territórios. “Quando você territorializa a política pública por meio de agentes territoriais você consegue fazer a leitura das realidades locais e a retradução de uma estratégia importante de política pública do ponto de vista da linguagem”, afirmou.

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A estratégia surge como um desdobramento da Estratégia Alimenta Cidades e do Plano Brasil Sem Fome, focando não apenas no combate à desnutrição, mas também no fenômeno da má alimentação e da obesidade que afeta a juventude urbana. De acordo com dados apresentados no lançamento da estratégia, o Brasil possui cerca de 30 milhões de jovens entre 20 e 29 anos, a maioria residindo em áreas urbanas e enfrentando desafios crescentes na qualidade de sua dieta. Destes, 58% se autodeclaram pretos ou pardos. Outro dado importante é que o excesso de peso e a obesidade entre jovens subiu de 34% para 40% entre o período pré-pandemia e o início de 2022, segundo a Vital Strategy.

Para a Secretária Nacional Adjunta de Juventude da Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), Cíntia Lorena, o envolvimento dos jovens é essencial. “Todas as iniciativas que a gente consegue construir que envolvem a participação social têm que ser vistas como grandes conquistas, sobretudo quando a gente consegue envolver a juventude.”, afirmou.

Baseado em experiência de sucesso

A metodologia da estratégia foi aprimorada a partir do projeto piloto “Fala que Alimenta”, realizado em Recife. Resultados deste piloto mostraram que 75,9% dos jovens participantes passaram a relacionar alimentação com temas de cultura, território e desigualdade, demonstrando o potencial da comunicação popular para a segurança alimentar.

Durante o lançamento do projeto, participantes ouviram o relato de Steff Souza, de 25 anos, que participou do laboratório piloto “Fala que Alimenta” por meio de sua atuação em uma cozinha solidária:  “Eu me senti realmente transformada saindo de lá”. Para ela, a iniciativa foi um divisor de águas tanto na consciência sobre a própria alimentação quanto na descoberta de novas capacidades de comunicação e liderança. 

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A coordenadora do projeto, Carolina Chagas, reforça que o movimento atua na conscientização do direito à alimentação saudável. “O Comer pra Quê é esse movimento que busca, a partir de uma consciência crítica, fazer com que os jovens construam caminhos entendendo a alimentação como um direito.”, destacou.

Vitor Araripe, secretário nacional de Periferias, destacou que a ação é fundamental para combater as desigualdades históricas das cidades brasileiras e adaptar as periferias aos novos desafios, como as mudanças climáticas.

Como participar

O edital de seleção será lançado nos próximos dias no site oficial comerpraque.org. Serão priorizados jovens residentes em periferias, com trajetória de engajamento comunitário e diversidade de raça, cor e gênero.

Os participantes selecionados receberão apoio financeiro (bolsa) e certificação durante os meses de julho a setembro. O encerramento do ciclo está previsto para novembro ou dezembro de 2026, com um encontro nacional para sistematizar as recomendações das juventudes para as políticas públicas de segurança alimentar do país.

Assessoria de Comunicação – MDS

Fonte: Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome

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