China continua decisiva para o agro, mas influência varia entre soja, milho e carne bovina

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A China segue sendo um dos principais motores do agronegócio mundial, mas sua influência deixou de ser homogênea entre as commodities agrícolas. A avaliação é de Anderson Nacaxe, executivo do setor agropecuário, que destaca a necessidade de uma análise mais específica para compreender os impactos da demanda chinesa sobre mercados como soja, milho e carne bovina.

Segundo o especialista, muitos agentes do mercado ainda reagem às notícias envolvendo compras chinesas com a mesma percepção observada durante a guerra comercial entre China e Estados Unidos em 2018. No entanto, a dinâmica atual é diferente e exige uma interpretação mais segmentada.

“O debate já não é mais se a China continua relevante para o agronegócio global. A questão agora é identificar em quais mercados essa influência permanece mais forte e como ela se manifesta”, aponta a análise.

Soja: Brasil amplia protagonismo nas compras chinesas

No mercado da soja, a China continua sendo o principal comprador global e responde por aproximadamente 60% das importações mundiais da oleaginosa.

A mudança, entretanto, ocorreu na origem das compras. Nos últimos anos, os chineses ampliaram significativamente a participação do Brasil em seu abastecimento, reduzindo a dependência do produto norte-americano.

As projeções para a safra 2025/26 indicam que as exportações de soja dos Estados Unidos para a China poderão atingir o menor volume dos últimos 19 anos. Ao mesmo tempo, até o final de maio, os importadores chineses já haviam assegurado mais de 90% das necessidades de abastecimento da temporada.

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Nesse cenário, o Brasil consolida sua posição como principal fornecedor de soja para o gigante asiático, reforçando sua liderança no comércio internacional da commodity.

Milho: demanda global reduz dependência da China

O comportamento do mercado de milho apresenta uma realidade distinta.

Na temporada 2020/21, a China chegou a representar quase um terço das exportações norte-americanas do cereal, alimentando expectativas de que o crescimento futuro dos embarques dependeria fortemente desse fluxo comercial.

Entretanto, os resultados recentes mostram uma diversificação dos destinos. Os Estados Unidos registraram recordes de exportação em 2024/25 e as estimativas apontam para novos volumes expressivos em 2025/26, mesmo com participação limitada da China.

A sustentação da demanda veio de outros mercados consumidores, com destaque para o México, que ampliou sua relevância nas compras do cereal norte-americano.

A avaliação indica que, atualmente, o milho dos Estados Unidos apresenta menor dependência da demanda chinesa do que em anos anteriores.

Carne bovina: influência chinesa pode pressionar oferta e preços

Na carne bovina, o impacto da China assume características diferentes das observadas nos grãos.

Embora exista a percepção de que os chineses concentram suas compras em cortes de menor valor agregado, a análise mostra que grande parte da carne exportada pelos Estados Unidos para aquele mercado compete diretamente com o consumo doméstico norte-americano.

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Em diversos anos, mais de 90% das exportações americanas destinadas à China apresentaram forte sobreposição com os produtos consumidos internamente.

Com o rebanho bovino dos Estados Unidos próximo dos menores níveis registrados em décadas, qualquer aumento na demanda chinesa tende a reduzir ainda mais a disponibilidade interna de carne, pressionando os preços ao consumidor e fortalecendo as cotações do setor pecuário.

Mercado exige análise individual por commodity

A conclusão da análise é que a China permanece como um agente fundamental para o agronegócio global, mas os efeitos de sua demanda variam significativamente entre os diferentes mercados.

Enquanto a soja continua altamente dependente das compras chinesas — beneficiando diretamente o Brasil —, o milho demonstra maior diversificação de destinos. Já na carne bovina, a influência do gigante asiático segue relevante por seu potencial de alterar a oferta disponível e os preços em mercados estratégicos.

Diante desse cenário, especialistas defendem que investidores, produtores e agentes da cadeia agroindustrial abandonem análises generalistas e passem a observar cada commodity de forma individualizada para compreender os verdadeiros impactos da demanda chinesa no comércio agrícola mundial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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